10 lições que Peter Drucker gostaria que você aprendesse

Conteúdo foi reunido por William A. Cohen, aluno e amigo do mestre da Administração moderna por 30 anos

Todo administrador ou estudante de Administração que se preze conhece pelo menos algumas linhas do legado de Peter Drucker. Caso você não conheça, é melhor começar a conhecer. Drucker é o pai da Administração moderna e influenciou (e influencia) o trabalho e o pensamento dos homens, mulheres e empresas de maior sucesso no mundo.

Entre outras coisas, o mestre acreditava fielmente que a condição humana podia ser desenvolvida pela gestão mais eficaz e pela liderança mais ética, em todas as organizações e em todas as sociedades, empresas, governos, organizações sem fins lucrativos e universidades. Mas essa é só uma das mais elementares de suas lições.

No livro ‘Uma aula com Drucker’, publicado no Brasil pela editora Campus/ Elsevier, William A. Cohen Cohen reúne tudo que aprendeu com Drucker na época em que foi seu aluno. Além de discípulo de Drucker e amigo pessoal por 30 anos, William foi o primeiro a se formar pelo programa PhD executivo do mundo em gestão, no ano de 1979, na Graduate School of Management Peter F. Drucker e Masatoshi Ito, da Claremont Graduate University.

Com base no livro de Cohen, reunimos aqui 10 lições de Drucker que julgamos extremamente valiosas para você, administrador. Confira abaixo:

1) “O que todo mundo sabe geralmente está errado”

Ao afirmar tal frase, Peter queria que os alunos questionassem suas premissas e pressupostos para, enfim, tomarem alguma decisão. Drucker havia contado a história dos dois vice-presidentes de uma determinada empresa coordenada por ele. Em sua sucessão, um dos candidatos cumpria as atividades dadas, mas pedia conselhos e reuniões com Drucker. O outro candidato, porém, era totalmente independente e não incomodava Drucker. Qual você acha que Peter escolheu? Se você escolheu o independente, errou. Segundo Drucker, “ambos eram ótimos, mas a maioria dos executivos – naquele caso, o presidente que estava escrutinando dois candidatos à sua sucessão – quer sentir que suas políticas e diretrizes (ou seja, conselhos e ensinamentos) estão sendo seguidas”. O que sempre pedia conselhos construiu uma relação mais próxima com o presidente, que pode conhecê-lo melhor e acabou lhe dando mais confiança. Mas a lição de Drucker neste ponto não está na história e sim na forma como os alunos se posicionaram sobre o assunto. A maioria errou a resposta da pergunta e Drucker retrucou: “O que todo mundo sabe geralmente está errado”.

2) Seja autoconfiante

Desenvolva seu senso de segurança passo a passo ao longo dos anos. Isso se desenvolve ao longo de várias tarefas de sucesso. Portanto, execute primeiro as tarefas fáceis e só depois parta para as difíceis. Além disso, atue como um executor não privilegiado, assumindo a responsabilidade por diferentes trabalhos, inclusive os nunca executados antes. Também é válido fazer uso de mensagens mentais positivas, reforçando a autoconfiança, como se você já tivesse passado pela situação real.

3) “Se continuar fazendo o que fez no passado, você fracassará”

Em resumo, empresas que se apegam ao passado estão fadadas ao fracasso. Por quê? “Porque a mudança é inevitável e a adaptação a ela é necessária para o sucesso”, afirmou Drucker.

4) “Aborde os problemas com ignorância”

Segundo Cohen, uma das lições mais valiosas de Drucker é que “ninguém precisa ter medo da própria incapacidade de resolver um problema, seja ele gerencial ou qualquer outro”. Afinal, segundo ele, partir de uma posição de ignorância e reconhecê-la de maneira consciente é a melhor maneira de obter ótimas soluções.

5) Desenvolva seus conhecimentos extras

Segundo Cohen, “Peter sustentava enfaticamente que outros elementos importantes contribuíam para a formação do gestor eficaz, além das trilhas tradicionais para o topo”. Drucker sabia que executivos de nível estratégico precisavam de certas habilidades que não eram desenvolvidas pelos desafios no nível tático. Por isso, o mestre insistia numa maneira singular de se aprimorar esses requisitos. “Ele nos estimulava a nos tornarmos experts em pelo menos uma especialidade fora da nossa profissão”, conta Cohen.

6) “O desempenho notável é incompatível com o medo do fracasso”

“Pouco se duvida de que a eliminação de qualquer medo de perda do emprego influenciará seu futuro como gestor e como executivo de maneira muito positiva”, diz Cohen. Para ele, esta foi uma das principais lições deixadas pelo seu amigo e professor, uma vez que foi responsável por impulsioná-lo não só na carreira de escritor, mas também no meio militar e empresarial.

7) “O objetivo do marketing é tornar desnecessário o esforço de vendas”

Drucker acreditava que a má estratégia de marketing não deve ser compensada pela “qualidade da implementação e das táticas” de vendas, e que “a estratégia de marketing é o aspecto preponderante” de um negócio. E ele vai além: “Vendas e marketing náo são termos sinônimos nem complementares. Até se poderia dizer que são antagônicos. Não há dúvida de que, se o marketing fosse perfeito, o esforço de vendas, no atual sentido da palavra, seria desnecessário”.

8) Ética, honra e integridade

Todos os conceitos de ética, honra e integridade têm a ver com o comportamento certo, de acordo com os nossos valores. Certo? Em partes, sim. O que Drucker acreditava, porém, era que esses valores pudessem diferir entre diversas sociedades e culturas, uma vez que nem todos são universais. “Além disso, lei não se confunde com valores. É possível ser ético, honrado, de alta integridade e ainda assim transgredir a lei e acabar na prisão. A primeira diretriz da ética em negócios, de acordo com Peter, e essa orientação de fato parece revestir-se de validade universal, deve ser não fazer mal ou não prejudicar. Quem se der ao trabalho de avaliar qualquer situação potencial com base nesse critério não se dispersará demais”, diz Cohen.

9) “Você não pode prever o futuro, mas pode criá-lo”

Segundo Cohen, essa era uma das mais frequentes frases de Drucker. “Pare de se preocupar com seu ambiente no futuro. Ninguém pode prevê-lo. Sobretudo, não se concentre no que você não pode fazer. Em vez disso, defina seus objetivos, determine os recursos necessários e analise a situação”, recomenda Cohen.

10) “É preciso conhecer as pessoas para liderá-las”

Aqui, Cohen cita alguns pontos que Drucker costumava ensinar em aula:

“Para conhecer as pessoas, sem as quais nada se realiza, você pode:

– Saber o que está acontecendo em sua organização todos os dias.
– Ajudar a quem precisa de ajuda.
– Obter ajuda de quem pode oferecer ajuda.
– Elogiar e reconhecer quem tem mérito.
– Divulgar sua visão em toda a organização.”

Drucker não acreditava que a realização de negócios são verdadeiras guerras. “Ao contrário, opunha-se enfaticamente a essa ideia. No entanto, entendia que muitos conceitos desenvolvidos pela experiência, em condições extremas de risco e incerteza, durante vários milhares de anos de história registrada, muito anteriores às modernas organizações de negócios, podem ser adaptados a contextos não militares”, diz Cohen.

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Fonte Redação, Administradores.com